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... tenho a liberdade de escrever e deixar ler a quem interessar alguns poemas, fotografias, críticas e outras coisas.A efemeridade da vida e o seu processo cíclico, a efervescência dionisíaca da sociedade são assuntos que quero botar em discussão.Então...fiquem a vontade.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Aranha

                                                        Ode à Má Mère - Louise Borgeois

A aranha trabalha metódicamente
Tece fios de tramas complexas
As mesmas linhas da palma da mão.
Fios de mãos moiras
Levam o caminho para vida ou morte.
A aranha cuida dos filhotes
Tece fios quentes e macios
Um a um
Devoram-se
A mãe traça os destinos.
Quem irá me amamentar?
Aranha materna me acalenta
Trabalha
Mãe- aranha me alimenta
Me prende em sua teia
O que será de mim quando partires?
Afastem-se fiadeiras
O medo não existe?
Uno os fios de tua vida
Para que não fiques por um fio.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sempre Haverão Outros Carnavais

Gotas de chuva pelas ruas da cidade
Roupas coloridas
Pontos de confete e serpentina
Pessoas que se beijam e se abraçam
Dançam os metais
Em marchas compassadas.
Multidão que passa
Multidão que olha.
Olho tudo de cima
Do alto das cabeças
Aceno o riso.
Outros carnavais esperam por mim
Com suas plumas e paetês
Luzes a iluminar a minha face.
Pierrot vem brincar
Ser quem se quis
Ter o que se deseja
Sempre quis ser grande
E ver o mundo do alto
Acima de todas as cabeças.
Sigo meu caminho
Alguém me pergunta: onde vais?
Respondo: vou por aí,
Sempre haverão outros carnavais
E eles me esperam.



Não Me Ame Tanto


Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
... Eu jogo tudo no lixo sempre

Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso

Desapego corretamente
Ou incorretamente
Um sentimento mesquinho
Que eu sinto por dentro
Tenso
Por isso não me ame
Não me ame tanto

Não me ame tanto
Eu tenho algum problema com amor demais
Eu jogo tudo no lixo sempre

Não me ame tanto
Não posso suportar um amor que é mais do que
O que eu sinto por dentro
Penso

Pego tudo
O meu e o seu amor
Faço um bolo de amor
E jogo fora
Ou como e gozo
Dentro

Karina Buhr

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Estrela

De todas as estrelas
A mais brilhante
Foi a que sorriu pra mim em um dia triste
De sorriso em sorriso
Se fará luminosa  a imensidão do infinito
E brilhará
Lumiar  minha memória.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Reflexões Cotidianas para o Fim de Ano.

Coisas que aprendi com o cotidiano:
Um relacionamento é feito de dois;
Cachorros são como crianças, tem que ficar atento neles para que não façam besteira;
Pisar em cocô na rua não traz sorte pra ninguém, traz mau cheiro;
Amigos não vão embora com o tempo, o tempo mostrará quem é de fato seu amigo;
A sua criancinha linda se casará e terá outras crianças;
Juras de amor podem ser eternas por um segundo;
Pessoas são dividas em dois grupos: vinho e vinagre;
Uma caneca velha não tira o requinte de um bom vinho;
Sapatos velhos aquecem os pés, envelhecer com alguém aquece o coração;
As roupas não crescem junto com as crianças;
Comer manga com açaí não faz mal, mas pode ser indício de gravidez;
O sorriso de alguém indica possibilidades;
Nunca Julgue um livro pela capa,existem estórias maravilhosas em livros velhos;
Amores e amigos novos são sempre  boa companhia na poeira da estrada;
Um dos piores porres é o de dor de cotovelo mas o pior mesmo é a  ressaca moral;
Nunca menospreze o amor de alguém, o mundo gira;
Melhor ficar com o amigo um tempo do que dormir com o inimigo a vida toda;
Cumpra suas promessas,especialmente sobre dietas.Você ainda irá querer caber em suas roupas;
Nunca subestime ninguém,lembre que Noé (um homem leigo) construiu uma Arca e Thomas Andrews (um arquiteto naval), construiu o Titanic;
Não existe mal irremediável que supere a morte;
A parede pode ter a espessura que for, porém sempre é possível abrir nela uma porta;
E  Poesia (nesse caso) se faz até em um boteco vagabundo.







sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Entre as Linhas e os Muros

Sentada em minha cama faço reparos em panos rasgados
Costuro nos meus travesseiros pensamentos e sonhos ainda não concretizados
Emendo idéias, saudades
Botões de sentimentos variados
Gosto das cores das linhas
Elas parecem os caminhos que tecem a vida.
As pessoas deveriam ser como as tramas dos tecidos
Que se ligam,se complementam formando uma unidade
Os fios se unem  para  cobrir, aquecer  é a sua finalidade
E as pessoas?
Elas não tem muita sensibilidade
Pessoas constroem muros
Os muros separam gente de gente
Os muros se complementam com as grades.
Perto de minha cama fica uma janela
A minha janela também contém uma grade
Nela há linhas
Estas por sua vez me separam de pessoas
Na minha janela também tinha um pôr do sol todo final de tarde 
Onde antes eu podia vê-lo com seus lilazes e alaranjados
hoje da janela do meu quarto
Consigo ver apenas o cinza dos muros levantados.








sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

De todos os poemas que fiz pra ti

Tudo que tenho feito foi escrever sobre coisas,sentimentos, pessoas
E de todos as poesias que fiz, a maioria delas fiz pra ti.
Hoje decidi  não escrever nem mais uma linha a seu respeito,
Nem uma frase, nem uma sílaba, nem uma letra.
De tudo o que escrevi até hoje, isso foi o mais sensato
Parto do meu devir, dessa criação absurda que  foi essa estória.
Mal contada foi, mal escrita, mal vivida.
A estória da nossa inexistência.
Nunca existimos ( eu e você ) de fato
Dois personagens criados em um texto nunca lido
Em uma dramaturgia jamais encenada
Vivemos absortos em dois mundos paralelos
Duas fugantes que vivem paralelamente lado a lado
Mas sem nunca se encontrar( e nem se tocar ) em nenhum ponto
Infinitamente distantes.
Parto para a vida ( Minha vida) real
Aquela que abandonei por muito tempo
Mas ainda posso salvar.