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... tenho a liberdade de escrever e deixar ler a quem interessar alguns poemas, fotografias, críticas e outras coisas.A efemeridade da vida e o seu processo cíclico, a efervescência dionisíaca da sociedade são assuntos que quero botar em discussão.Então...fiquem a vontade.
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Deixo


Deixo de ser espera e me torno despedida
Deixo de ser espera quando os fatos apressam minha partida
Deixo de ser espera para olhar além do horizonte
E tentar ver tudo como se não tivesse já vivido ontem
Deixo de ser espera para partir Juno guerreira
Deixo de ser espera para ser sem eira nem beira
Deixo de ser espera para apressar meus passos
Ao caminho mais promissor da vadiagem
Deixo de ser espera para ser flâneur
E apenas observar a vida seguindo em viagem
Deixo de ser espera e trilho meu caminho errante
Deixo de ser espera para ter a alma itinerante
Deixo o ser espera e deixo ser amada
Deixo decifrar-me ou te devorar
Deixo de ser espera pra tentar entender a vida
Deixo de ser espera para encontrar a terra prometida
Deixo de ser espera para ter tudo e nada
Deixando de esperar, a espera um dia se acaba.

Jaqueline Souza 21/09/2009


sábado, 22 de maio de 2010

Penélope


A tecer a trama da vida estou
As pessoas passam por mim
E somente passam
As horas e os dias passam
Passa o anoitecer
E os sonhos e a esperança vão morrendo
A cada vez que nasce o dia.
Até quando?
Quando saber onde se deve parar
E concluir tudo que se deixou incompleto?
Saber como concertar os erros cometidos?
Esperar ou fugir de um destino que não sei ao certo
Se trará ou me tirará todos os desejos.

A tecer a trama da vida estou
Ponteando cada passo
Um por um.
Amores passam por mim
E se desfazem a cada amanhecer
Pois sei que não é o que espero.

A tecer a trama da vida estou
Furando o dedo nas agulhas,
Pregando as lágrimas como pérolas
E as gotas de sangue como pétalas de rosa.

Desmancho tudo toda vez que amanhece.

Algum dia talvez consiga concluir

Como todo e bom artesão

meu trabalho árduo

E ponteie cada linha que me ligue ao que vai chegar.

Enquanto isso teço
E desmancho as linhas do destino
Até quando achar necessário
Fazer-me incompleta.

Jaqueline Souza 07/2009