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... tenho a liberdade de escrever e deixar ler a quem interessar alguns poemas, fotografias, críticas e outras coisas.A efemeridade da vida e o seu processo cíclico, a efervescência dionisíaca da sociedade são assuntos que quero botar em discussão.Então...fiquem a vontade.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O que vem antes.



A palavra antes de ser palavra é silêncio
O silêncio antes de ser silêncio é gesto
O gesto antes de ser gesto é pensamento
O pensamento antes de ser pensamento
É existência.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Náufrago

O barco segue no mar de pensamentos
À deriva
Alheio
Inocente
Ignorante
Até naufragar na verdade dos fatos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Adormeço

No meu quintal havia majares frutíferos de todo sabor, havia flores, cheiro de mato, de folhas caídas na poça dàgua: morada das formigas.
No céu todas as formas do universo, e o vento ( que era meu amigo) bailava o balanço de onde derramava  a chuva lilás que pintava o chão.
Era eu rainha-nua de roupa nova,trapezista dos velhos galhos da goiabeira.
Era espiã dos limites do quintal vizinho, onde arriscava-me nas fronteiras guardadas pelo monstro-cão.Um dia este me tirou um pedaço da carne.Mistura de sangue e saliva nos tornaram irmãos.
O monstro guardava a velha feiticeira:senhora das gestações.
Tomei posse da minha terra, construí castelos com as mesmas pedras que machucavam meus pés, descobri tesouros escondidos.
Ao entardecer, exausta das batalhas era embalada pela doce cantiga das cigarras:sinfonia ao pôr do sol.
Adormeço então e sonho ainda como a criança que adormece.

Pré amar


Mar repele
Mar é pele
Res- pirar
Trans-pirar
Pré- amar
Preamar.

Clara

Clara noite
Clara Lua
Clareou
Clareana
Luarou
A pele clara
Clara estrela
Noite clara
Rio
Claro e límpido
Riso
Só ria
Anna clara.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Cigarra

Uma cigarra canta sobre a mangueira
No fim de tarde da selva de pedra.
Sinto o cheiro verde no som das buzinas dos carros
E nos risos dos passantes
A cidade é como um altar
Da velha senhora
De linhas suaves escritas em seu rosto
Como um novo poema em papel antigo.
A cigarra ainda canta uma velha cantiga
Canção do meu velho quintal
Onde antes eram várias canções
Nele muitas cigarras cantavam
No fim de tarde da cidade-lilás
A cigarra canta uma canção tristonha
Das memórias da velha mangueira
A cidade tem um poema escrito
Em cada beco
Em cada rua
As linhas que traçam caminhos
Envelhecem a cada amanhecer.
A cigarra ainda canta
Renova cada promessa
Para não ser sugada pelo esquecimento
Envelhecer é perder velhos amigos pro tempo?

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Flor de Lama ou Anarquia das Flores




Do gesto à palavra
O barulho do silêncio
A luz do breu
Olhe
Toque
Cheire
Sue
Corpo que gruda como sanguessuga
Suga os mamilos
Voluptuoso gesto
Das mãos entrelaçadas
à meia luz
Na tapera
Lugar qualquer
À beira da estrada
Em qualquer leito
Mera madrugada
A - dor- meces
Outro dia
A luz
Pé na terra
Na janela
Um corpo sobre a penumbra
Flores orvalhadas
As flores caem
Feito poeira
Como lembranças
Que se perderam no caminho.

Jaqueline Souza