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... tenho a liberdade de escrever e deixar ler a quem interessar alguns poemas, fotografias, críticas e outras coisas.A efemeridade da vida e o seu processo cíclico, a efervescência dionisíaca da sociedade são assuntos que quero botar em discussão.Então...fiquem a vontade.

domingo, 24 de abril de 2011

Fim

Há dias em que sinto mais próximo o fim.
O fim é o princípio de novos acontecimentos.

Rotina

E na madrugada:
O despertar
Sonolento
Preguiçoso
Pensativo.
E na manhã:
O sol saindo
A rua lenta
Os rostos inchados
O trabalho.
E na tarde:
A fome
O calor
O engarrafamento
O crepúsculo
E na noite:
O retorno
Os teu braços
O coito
sonolento
preguiçoso
pulsativo
Ofegante...

sábado, 9 de abril de 2011

Minha Rua



de 

Minha rua era tão minha
em sua simplicidade…

Não sei de onde é que ela vinha,
mas ia para a cidade.

Com suas pedras redondas
e duas magras calçadas,
não tinha praia nem ondas,
mas como tinha enxurradas!

Era alegre, era risonha,
tinha orquestra de pardais,
e a cantilena enfadonha
de mil pregões matinais.

Ali cresci, me fiz homem,
e a minha rua, coitada…
qual as mães que se consomem,
foi tudo, sem querer nada.

Foi pista dos meus brinquedos,
de jogos de correrias…
Foi dona dos meus segredos
viu tristezas, alegrias…

Viu meus passos imprecisos,
viu-me garoto, um traquinas,
e viu-me trocar sorrisos
nas rondas pelas esquinas.

Viu-me também, certo dia,
sair da lá, nem sei quando…

Por fora sei que sorria,
por dentro estava chorando…

guardei, porém, na lembrança
aquele encanto que tinha
a rua em que fui criança,
a rua que foi tão minha…

domingo, 3 de abril de 2011


Existem manhãs em que abrimos a janela, e temos a impressão de que o dia está nos esperando.”
Charles Baudelaire

sábado, 12 de fevereiro de 2011

É tudo que me lembro.

E tudo que me lembro é do gosto de sal da tua pele.
Não lembro quando te conheci, nem quando te desconheço
Não lembro teu rosto ou teu endereço 
Não lembro teu nome, sobre nome, sob renome
Não lembro o número do teu telefone
Não lembro a cor do teu cabelo
Não lembro a cor dos teus olhos,como me olharam
Nem do teu cheiro
Não lembro em que lugar nos encontramos
Tempo- espaço
Não lembro o que sonhamos
Não lembro o som da tua voz
Não lembro
e nem de palavras pronunciadas ao meu ouvido.
Não lembro de ter sido algoz
Em algum momento
O que poderia ter sentido?
Não lembro
Não lembro se te quis
Não lembro se te desejei
Não lembro quanto tempo te esperei
Não lembro
E tudo que me lembro é o gosto de sal da tua pele.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Solidão Crônica

A solidão muitas vezes é uma grande mestra, faz com que se aprenda a conviver consigo mesmo e se conheça.
A solidão é a amiga que muitas vezes ouve o que ninguém mais quer ouvir.
A solidão é a única que te abraça num momento de abandono.
A solidão permite a invasão de pensamentos
Permite a lágrima incontida, o soluço antes engolido.
Te ensina a erguer a cabeça e recomeçar
Muitos dos planos mirabolantes se faz num momento de solidão
e muitas das soluções brilhantes são feitas em sua companhia.
A solidão não é algo triste
Há momentos hilários com ela
Se dança
Se canta
Rimos sobre o espelho fazendo caretas e personagens que geralmente são aplicados no cotidiano.
Ensaiamos aquela frase ou aquele beijo roubado num momento de distração.
A solidão é um ensaio de si mesmo.
A solidão não é medo do mundo, mas a observação do mesmo.
É uma janela por onde se observa dois mundos, depende do lado em que está o espectador.
A solidão pode ser solidária entre os casais,assim como podem estar acompanhadamente sozinhos.
A solidão é algo notável.
Nos descobrimos, nos reinventamos,ficamos fortes
Quando isso acontece
O mundo ao nosso redor se modifica.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Homem Lúcido



O homem lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que nunca se entusiasma com ela, assim como não teme a morte. O homem lúcido sabe que viver e morrer são o mesmo em matéria de valor, posto que a Vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um mal.
O homem lúcido sabe que é o equilibrista na corda bamba da existência. Sabe que, por opção ou acidente, é possível cair no abismo, a qualquer momento, interrompendo a sessão do circo.
Pode também o homem lúcido optar pela Vida. Aí então, ele esgotará todas as suas possibilidades. Passeará por seu campo aberto e por suas vielas floridas. Saberá ver a beleza em tudo. Terá amantes, amigos, ideais. Urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até às doenças. E, se atingido por algum desses emissários, saberá suportá-los com coragem e mansidão.
Morrerá o homem lúcido de causas naturais e em idade avançada, cercado por filhos e netos que seguirão sua magnífica aventura. Pairará então, sobre sua memória uma aura de bondade. Dir-se-á: aquele amou muito e fez bem às pessoas.
A justa lei máxima da natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem iguale-se sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O homem lúcido que optou pela Vida, com o consentimento dos Deuses, tem o poder magno de alterar esta lei. Na sua vida, os acontecimentos favoráveis estarão sempre em maioria.
Esta é uma cortesia que a Natureza faz com os homens lúcidos.



texto Caldaico(*) do VI século a.C.