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... tenho a liberdade de escrever e deixar ler a quem interessar alguns poemas, fotografias, críticas e outras coisas.A efemeridade da vida e o seu processo cíclico, a efervescência dionisíaca da sociedade são assuntos que quero botar em discussão.Então...fiquem a vontade.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Transito

Trabalhadores correndo
Contra o tempo
Trabalhadores contra
Trabalhadores
O trânsito lento
Em transe...
Gente inerte promove protestos
Gente que apanha
Protesta.
O trânsito lento
Em transe...
A porrada do martelo
Rasga o mar de buzinas
Impaciente
Caem ao chão pedaços de memória
Pisoteadas pelas botas dos operários.
Gente que olha
Inerte
A sinfonia fúnebre dos apitos.
O trânsito lento
Em transe...
Máquinas constroem novos edifícios
Nova gente dormirá sobre o tempo.
O trânsito lento
Em transe...
Transito por seus olhares
Nova lágrima a cada tábua ao chão
Quanto tempo dormiram sobre o mesmo teto?
Quantos sonhos morreram no jornal de hoje?
Transito em transe...

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O que vem antes.



A palavra antes de ser palavra é silêncio
O silêncio antes de ser silêncio é gesto
O gesto antes de ser gesto é pensamento
O pensamento antes de ser pensamento
É existência.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Náufrago

O barco segue no mar de pensamentos
À deriva
Alheio
Inocente
Ignorante
Até naufragar na verdade dos fatos.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Adormeço

No meu quintal havia majares frutíferos de todo sabor, havia flores, cheiro de mato, de folhas caídas na poça dàgua: morada das formigas.
No céu todas as formas do universo, e o vento ( que era meu amigo) bailava o balanço de onde derramava  a chuva lilás que pintava o chão.
Era eu rainha-nua de roupa nova,trapezista dos velhos galhos da goiabeira.
Era espiã dos limites do quintal vizinho, onde arriscava-me nas fronteiras guardadas pelo monstro-cão.Um dia este me tirou um pedaço da carne.Mistura de sangue e saliva nos tornaram irmãos.
O monstro guardava a velha feiticeira:senhora das gestações.
Tomei posse da minha terra, construí castelos com as mesmas pedras que machucavam meus pés, descobri tesouros escondidos.
Ao entardecer, exausta das batalhas era embalada pela doce cantiga das cigarras:sinfonia ao pôr do sol.
Adormeço então e sonho ainda como a criança que adormece.

Pré amar


Mar repele
Mar é pele
Res- pirar
Trans-pirar
Pré- amar
Preamar.

Clara

Clara noite
Clara Lua
Clareou
Clareana
Luarou
A pele clara
Clara estrela
Noite clara
Rio
Claro e límpido
Riso
Só ria
Anna clara.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Cigarra

Uma cigarra canta sobre a mangueira
No fim de tarde da selva de pedra.
Sinto o cheiro verde no som das buzinas dos carros
E nos risos dos passantes
A cidade é como um altar
Da velha senhora
De linhas suaves escritas em seu rosto
Como um novo poema em papel antigo.
A cigarra ainda canta uma velha cantiga
Canção do meu velho quintal
Onde antes eram várias canções
Nele muitas cigarras cantavam
No fim de tarde da cidade-lilás
A cigarra canta uma canção tristonha
Das memórias da velha mangueira
A cidade tem um poema escrito
Em cada beco
Em cada rua
As linhas que traçam caminhos
Envelhecem a cada amanhecer.
A cigarra ainda canta
Renova cada promessa
Para não ser sugada pelo esquecimento
Envelhecer é perder velhos amigos pro tempo?