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... tenho a liberdade de escrever e deixar ler a quem interessar alguns poemas, fotografias, críticas e outras coisas.A efemeridade da vida e o seu processo cíclico, a efervescência dionisíaca da sociedade são assuntos que quero botar em discussão.Então...fiquem a vontade.

domingo, 22 de agosto de 2010

As Bacantes - Teatro Oficina Uzina Uzona






Fui ontem assistir ao espetáculo As Bacantes, produzida pelo grupo de teatro Oficina Uzina Uzona dirigido por nada mais nada menos que José Celso Martinês.Para quem não sabe, Zé Celso, como gosta de ser chamado, é um dos diretores, atores,dramaturgos, encenadores
 mais importantes do teatro brasileiro.
Seu trabalho iniciou-se no final da década de 50, mas só conseguiu se definir melhor na década de 60, quando liderou o grupo de teatro amador da faculdade de direito de São Paulo Teatro Oficina.
Seu trabalho se destaca pela irreverência, inovação e provocação através de cenas antropofágicas e orgiásticas.
As Bacantes, texto do dramaturgo Ateniense Eurípedes, estreado pela primeira vez em 405 aC, narra a estória de Dionísio, um jovem deus grego que fica enfurecido por sua famíia mortal não acreditar em sua divindade.Rejeitado, ele viaja por muito tempo pela Ásia e por terras estrangeiras e reune um grupo de devotas, as Bacantes e volta a seu leito familiar em Cadmo para se vingar.
As Bacantes, durante muito tempo foi um texto considerado muito repulsivo para ser estudado.Somente no século XX foi trazida e apreciada por muitos encenadores graças a obra  O Nascimento da Tragédia do filósofo alemão Friederich Nietzsche.
O trabalho de Zé Celso traz à tona essa efervescência de Dionísio,que ora é deus, ora é o demônio.Fiquei muito feliz em participar do espetáculo enquanto espectadora, pois ele traz sensações e reações bem primitivas da orgia, do despudor, do despir.
Algumas pessoas criticam o trabalho dizendo que é uma pouca vergonha, putaria e que Zé Celso poderia está fazendo algo mais produtivo.Ora porra, é uma pena que aqui no Brasil temos a cultura do falso moralismo, algumas pessoas ainda se chocam por verem atores nus em cena, mas não se chocam com a pouca vergonha política e cultural que assola nosso país, não se chocam com a idiotização em massa das redes televisivas que estão estampadas em suas caras todos os dias.
Para mim a experiência foi maravilhosa, tomara que possamos ter outras oportunidades como essa.

Meus aplausos ao Teatro Oficina, meus aplausos a Zé Celso Martinês.

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